quinta-feira, 27 de março de 2008

Quando você ler estes versos

Quando você ler estes versos
Eu terei partido

Partido o pão
E oferecido a outra face
Da lua que se oculta por entre as nuvens
Que apascentadas pelo vento que varreu o pacifico sul
Choram pelas vitimas das enxurradas
De balas perdidas,
De oportunidades perdidas
De simplesmente
Dizer
Eu te amo

Quando você ler estes versos
Eu terei partido

Terei partido e serei candidato
Mais um candidato na fila do emprego
Dos verbos
Dolorosos
Caprichosos
Que se conjugam no futuro
Do pretérito imperfeito

Quando você ler estes versos
Eu terei partido

Terei partido o coração de alguém
Que não esta nem ai pra esses versos

Velhos baús

Velhos baús
Vagas do mar
Areia branca
O dom de amar

Uma ave em seu vôo
Mergulha no oceano
Brilhando como estrelas
No fundo do oceano

Velhos vestidos
Empoeirados
Poeira
Caveira

Dom
Tom
Batom
Marrom

Armas
Ciladas
Gaiola
Violão
Viola
Veleiros
Cortam as águas

Um cartaz

Um cartaz
Que eu li
Dizia
O povo pede justiça
Que povo?
E que
Justiça?
Será o povo que rumina cabisbaixo?


Mais um assalto com reféns
Mais um corpo estirado
Eu povo,
Eu espectador
Calado
Não peço
Justiça
Peço
A DeusPra não ser o próximo

Noites solitárias

Noites solitárias
Observo o céu chuvoso
Iluminado pelos relâmpagos
Lembranças
Serpentes de fogo deslizam pelo céu
Enquanto a sinfonia monótona da noite prossegue
Grilos, sapos, fantasmas, vultos
Combinações bizarras de luzes e trevas
Noites solitárias
Sem ter a quem abraçar
Noites úmidas e frias

Os fleches se tornam mais fracos

Pirilampos,
Estrelas cadentes
Tudo que tem luz
Iluminem meus versos
Que no delírio das diafaneidades
Removam o limo do meu pensar
Cadencias apaixonadas
Das sinfonias de Mozart
Desenclausuradas fluam nas palavras
Rejam, reajam