domingo, 15 de novembro de 2009

compotas

ah! meus dias são páginas em branco
Quando eu os releio
não encontro registros
como se não tivessem sido vividos
quanto tempo incinerado
e guardado em potes funerários
feito compotas estragadas
onde só existe botolismo!
ah! que desgosto...

alambique

gota
gota
gota
verso raro
veneno potente
anestesiante
doce
penetrante
pinga
deste velho alambique
chamado coração

Estrela

Em meio a milhares de rostos avistei o teu
Como uma estrela brilhando em uma nebulosa
ó estrela, minha estrela
brilho que em meus olhos não cansa
e alcança o seu brilho máximo
nuvens indolentes insistem em esconder de mim tua luz
mas não apagam da minha memória o teu brilho
Essas nuvens irão embora em breve
mas tu permanecerás para sempre em meu coração

domingo, 19 de abril de 2009

Rios Temporários

Mundo incompreensivel
Quero te tragar
com minhas ondas
quero te banhar com minhas águas
Ainda há tão pouco,
tanto a escrever
Toda manhã
todos os enganos
evaporam com o orvalho
tudo esta prestes a recomeçar
Parabens! Você ganhou uma nova chance!
Renuncie tudo o que passou
o você de ontem esta morto
o cronometro zerou!

Estou me desintegrando
me reintegrando
ao ar, à terra, ao céu...

não há mais tristeza
as lagrimas são rios temporarios
no calor do estio.

domingo, 5 de abril de 2009

Fui Convidado Para um Banquete na Casa de um Vampiro

Fui convidado para um banquete na casa de um vampiro
Assentei-me a mesa com os outros convivas,
todos vampiros.
Na mesa posta, taças de vinho tinto misturado com sangue,
uma especie de sangria
No cardapio:
Galinha cabidela e sarapatel,
além de bife mal passado.
Agradeci e me servi das frutas que enfeitavam a mesa,
mas antes agradeci a Deus e
consagrei meu alimento
A face pálida dos que estavam assentados a mesa comigo
empalideceu ainda mais
diante do meu gesto inusitado
E após a oração
notei que meu anfitrião
se fora junto com seus pares
o ambiente antes lugubre, estava enxarcado de luz,
como que de um véu de seda!
O sol meu conservo brilhava lá fora.

domingo, 4 de janeiro de 2009

O amor

o amor que inspira canções
o amor que faz tanto bem
o amor simples, leve, inodoro,
insipido...
como a água
liquido precioso
tão abundante em certas regiões
tão escasso em grande
parte do globo.
o amor que fere a solidão de morte
não pode ficar aprisionado no peito,
deve enxarcar os olhos,
e a boca,
emocionar, aquebrantar
afrouxar as mãos,
não tenha medo meu amor
eu estarei ao seu lado
porque eu também dependo do seu amor,
ainda que tudo diga que não.

solidão

A solidão é igual em todo lugar,
de dia ou de noite, na terra ou no mar;
É um monstro que apenas os mostros
Sabem admirar

As estrelas são solitarias
em sua grandeza, dispostas,
dispersas pelo espaço.
Sentinelas involuntarias
da natureza, devotas
da surpresa e do acaso

que insiste em serparar enamorados
que ignorando caminhos traçados
alheios as suas vontades
mergulham em promessas de amores eternos
esquecendo que para meros mortais
o amar demais é um erro

ó solidão! porque existis?
ou porque eu existo?
se o mundo é pequeno demais para nós,
um de nós ou ambos
teremos fim.