Você nunca viu o outro lado da lua romântica
Onde não há canções de amor
O lado frio e deserto
Onde os espectros moram eternamente
Atormentados
O lado da lua que é desconhecido dos poetas,
E até mesmo dos lobos que uivam hipnotizados
O lado nunca revelado
Oculto, aprisionado
Toda lua tem um lado amargo
Um cemitério, onde descansam os enjeitados
Você nunca viu, e nunca vera!
A aridez de minhas palavras
Em versos desidratados
Versos quebradiços
Resquícios de antigos vícios
Versos que são buracos negros
Dos quais nem a luz escapa
Palavras palafitas,
Ribeirinhas em suas canoas,
Remando suplicantes
Que trocam de significado
Num educado sincronismo
Que ora beira o cinismo
Ora, namora o abismo
E formam um tipo de espelho côncavo
Que ora faz rir
Ora espanta e causa ojeriza
Quero reduzir tudo a escombros,
à pó, e o pó, aos átomos
E os átomos à partículas
E as partículas a energia
Sou um sobrevivente
É difícil dizer isto
Sobreviventes são por vezes
Criaturas deformadas,
Maculadas,
Despidas da pureza original,
Repugnantes!
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